Comprar um carro por meio de financiamento continua sendo uma alternativa importante para muitos brasileiros, mas os dados mais recentes mostram uma preferência bastante clara: os veículos usados estão concentrando a maior parte das operações de crédito.
Em julho de 2026, o mercado de financiamento de veículos ganhou ritmo e registrou um dos melhores resultados para o mês em muitos anos. Ao mesmo tempo, os modelos usados mantiveram uma vantagem expressiva sobre os carros novos.
O movimento chama atenção principalmente porque os veículos 0 km também apresentaram crescimento. A diferença é que os usados continuam reunindo um volume muito maior de compradores que optam pelo pagamento parcelado.
Por que os carros usados atraem tantos compradores?
O preço de compra costuma ser um dos principais fatores. Um veículo usado pode apresentar um valor inicial menor do que um modelo novo equivalente, permitindo que o consumidor encontre opções dentro de diferentes faixas de orçamento.
Essa variedade também aumenta as possibilidades de escolha. O comprador pode comparar veículos de diferentes anos, versões, equipamentos e valores antes de definir qual modelo faz mais sentido para sua realidade.
Outro ponto é que a diferença no preço pode influenciar diretamente o valor financiado. Quando o valor total da compra é menor, a entrada e as parcelas podem ser mais compatíveis com o orçamento, dependendo das condições oferecidas pela instituição financeira.
Isso ajuda a explicar por que os usados continuam ocupando uma posição tão relevante no mercado de crédito automotivo.
O financiamento de carros novos também cresceu
Apesar da forte presença dos usados, os carros novos não ficaram para trás.
Em julho, foram financiados 124.933 automóveis e comerciais leves novos. O número representa crescimento de aproximadamente 21% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
O resultado mostra que existe demanda pelos modelos 0 km, especialmente em um cenário no qual preços, condições de pagamento e disponibilidade de crédito podem mudar ao longo do tempo.
Ainda assim, quando os dois grupos são colocados lado a lado, a diferença permanece bastante significativa.
O que os números de julho revelam?
Considerando automóveis e comerciais leves, o volume total de financiamentos chegou a 479.987 unidades em julho de 2026, alta de 6,1% em relação a julho de 2025.
Os veículos usados responderam por 355.054 dessas operações, enquanto os novos somaram 124.933.
Essa diferença significa que foram financiados aproximadamente 2,8 veículos usados para cada carro novo.
Quando motos e veículos pesados também entram na conta, o mercado alcançou 674.735 financiamentos no mês. O resultado representou crescimento de 5,6% sobre julho do ano anterior e foi o melhor desempenho registrado para um mês de julho desde 2008.
No acumulado de janeiro a julho, foram aproximadamente 4,452 milhões de financiamentos, avanço de 10% na comparação anual.
O prazo de pagamento também merece atenção
Não é apenas a quantidade de financiamentos que mudou. O período médio dos contratos também ficou maior.
Em julho de 2025, o prazo médio era de aproximadamente 45 meses. Um ano depois, passou para 47 meses.
Para veículos com até três anos de uso e aqueles entre quatro e oito anos, a média chegou a 51 meses. Nos veículos novos, o prazo médio ficou em 43 meses.
Um prazo maior pode fazer com que a parcela mensal pareça mais acessível. Porém, o consumidor precisa analisar o custo total do contrato, pois uma quantidade maior de parcelas pode aumentar o valor pago ao longo do financiamento.
Por isso, olhar apenas para o valor da prestação pode levar a uma avaliação incompleta.
O que deve ser comparado antes de financiar?
Antes de assinar um contrato, é importante observar o Custo Efetivo Total da operação.
A análise deve considerar não apenas a parcela, mas também a entrada, a taxa aplicada, eventuais tarifas, seguros incluídos e o número total de pagamentos.
Duas propostas com parcelas parecidas podem apresentar custos finais diferentes.
No caso dos veículos usados, também vale reservar espaço no orçamento para itens relacionados à manutenção e documentação. Um preço de compra mais baixo não significa necessariamente que o custo de propriedade será menor.
Quais categorias de usados estão avançando?
O comportamento do mercado também varia conforme a idade do veículo.
Os modelos com até três anos de uso registraram crescimento de 11,8% no financiamento. Entre os veículos com mais de 12 anos, o avanço chegou a 15,9%.
Já os veículos entre quatro e oito anos tiveram queda de 5,2%, enquanto a faixa de nove a 12 anos recuou 11,3%.
Esses números mostram que o mercado de usados não se comporta de maneira uniforme. O interesse pode variar conforme preço, conservação, idade, disponibilidade e condições de financiamento.
Preços mais baixos ajudam a movimentar o mercado
Outro elemento que ajuda a entender o cenário é o comportamento dos preços.
Em um intervalo de 12 meses, tanto os veículos novos quanto os usados apresentaram uma redução média próxima de 4,7% nos preços de transação.
Quando essa mudança ocorre junto com maior disponibilidade de crédito e prazos mais longos, o ambiente pode favorecer o crescimento das operações.
Para quem está planejando comprar um carro, porém, o cenário exige comparação. O valor anunciado e a parcela inicial não contam toda a história.
Afinal, vale mais a pena financiar um carro usado?
Os números mostram que os usados são atualmente uma escolha muito relevante para quem compra um veículo financiado, principalmente pela maior variedade de preços e pela possibilidade de encontrar modelos dentro de diferentes orçamentos.
Mas isso não significa que qualquer usado seja automaticamente uma opção melhor.
Um veículo com preço menor pode apresentar custos adicionais depois da compra. Da mesma forma, uma parcela aparentemente confortável pode resultar em um valor final elevado quando o contrato possui prazo extenso.
Por isso, a melhor decisão depende da combinação entre preço do veículo, entrada disponível, condições do financiamento, prazo e custo de manutenção.
O dado que mais chama atenção aparece quando os números são colocados lado a lado: em julho de 2026, foram 355.054 veículos usados financiados contra 124.933 novos. Na prática, isso representa quase três usados financiados para cada 0 km.
O resultado ajuda a explicar por que os usados continuam dominando o crédito automotivo no Brasil, mesmo com o crescimento das vendas financiadas de carros novos.
Para o consumidor, o cenário oferece mais alternativas, mas também reforça a importância de comparar o custo total antes de escolher o veículo e o financiamento.
